Redes subterrâneas: resiliência para as cidades e para o futuro da distribuição de energia
Redes subterrâneas: resiliência para as cidades e para o futuro da distribuição de energia

A discussão sobre as redes de distribuição de energia elétrica entra em uma nova etapa no Brasil. Crescimento urbano, aumento da demanda por confiabilidade, modernização das cidades e, principalmente, maior exposição da infraestrutura a eventos climáticos extremos estão colocando a resiliência das redes no centro das decisões sobre o futuro da distribuição de energia.
O tema ganhou ainda mais relevância em 2026. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), atualmente apenas 0,4% da rede de distribuição brasileira é subterrânea. Em agosto, a Agência abriu a Consulta Pública nº 29/2026 para discutir justamente a adoção de redes subterrâneas e outros padrões de rede capazes de aumentar a resiliência dos sistemas de distribuição. Esse movimento ocorre em um contexto no qual a continuidade do fornecimento e a capacidade de recuperação diante de condições meteorológicas severas passaram a assumir importância crescente.
Eventos climáticos colocam a infraestrutura elétrica à prova
Tempestades intensas, rajadas de vento, quedas de árvores, enchentes e outros fenômenos extremos podem provocar danos significativos às redes aéreas, justamente porque grande parte de seus componentes permanece exposta ao ambiente.
A própria ANEEL reconhece que a ocorrência de eventos climáticos extremos amplia a importância da discussão sobre redes mais resilientes. Segundo a Agência, áreas atendidas por redes subterrâneas tendem a apresentar menor frequência e menor duração das interrupções no fornecimento. A infraestrutura subterrânea também está menos exposta a tempestades, ventos fortes e interferências externas.
Isso não significa que as redes subterrâneas estejam livres de falhas. Alagamentos, infiltrações, falhas em acessórios, dificuldades de localização de defeitos e maior complexidade de manutenção também precisam ser considerados nos projetos.
A diferença está principalmente na exposição da infraestrutura. Enquanto postes, cabos, equipamentos e transformadores instalados em redes aéreas estão diretamente sujeitos à ação de ventos, árvores, descargas atmosféricas e interferências externas, grande parte dos componentes de uma rede subterrânea encontra-se protegida desses agentes.
El Niño reforça o debate sobre resiliência
O cenário climático de 2026 torna essa discussão ainda mais atual. O Painel El Niño 2026-2027, elaborado por instituições como INPE, INMET, Cemaden e outros órgãos federais, confirmou a ocorrência do fenômeno. Em setembro, as previsões indicavam mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte no trimestre setembro-outubro-novembro, com possibilidade de anomalias de temperatura do Oceano Pacífico superiores a 2 °C.
Para a Região Sul, partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul, o cenário indicava maior probabilidade de chuvas acima da média histórica. Em outras regiões, os efeitos podem ocorrer de maneira diferente, inclusive com temperaturas mais elevadas e períodos mais secos.
É importante fazer uma distinção: o El Niño é um fenômeno climático natural e não deve ser tratado como consequência direta das mudanças climáticas. Entretanto, seus efeitos ocorrem hoje em um contexto de aquecimento global e de maior preocupação com eventos climáticos extremos.
Por isso, a questão para o setor elétrico passa a ser menos sobre como reagir a um evento isolado e mais sobre como desenvolver uma infraestrutura preparada para operar diante de condições climáticas mais severas e eventos de maior impacto.
Redes subterrâneas começam a ganhar espaço no planejamento das cidades
Esse movimento já começa a aparecer em projetos concretos. Fortaleza publicou, em agosto de 2026, o Decreto nº 16.703, instituindo o Programa Municipal de Transição da Fiação Aérea para Subterrânea. O planejamento estabelece uma transição até 2034, inicialmente priorizando regiões centrais, históricas, turísticas e consideradas estratégicas.
A iniciativa considera fatores como confiabilidade dos serviços, segurança urbana, redução de falhas operacionais, furtos de cabos, organização do espaço público e integração com projetos de mobilidade, drenagem e requalificação urbana.
Outras distribuidoras também vêm avançando. A Neoenergia Pernambuco anunciou um ciclo total de R$ 9,7 bilhões em investimentos entre 2026 e 2030. Dentro desse planejamento estão projetos de embutimento da rede elétrica em áreas de Boa Viagem e de expansão da infraestrutura subterrânea do Recife Antigo. Em setembro de 2026, a distribuidora concluiu aproximadamente 400 metros de novas redes subterrâneas de média e baixa tensão na Rua do Apolo, no Recife Antigo.
São movimentos diferentes, mas que apontam para uma mesma direção: redes subterrâneas passam progressivamente a integrar estratégias de modernização urbana, confiabilidade e resiliência.
À medida que esse tipo de infraestrutura ganha espaço, também cresce a necessidade de equipamentos desenvolvidos especificamente para suas condições de instalação e operação.
O desafio econômico continua sendo determinante
A transição, entretanto, não ocorre sem desafios. A implantação de redes subterrâneas exige projetos civis e elétricos integrados, abertura de vias, sistemas de dutos e galerias, câmaras, equipamentos específicos e planejamento coordenado entre distribuidoras, municípios, empresas de telecomunicações e outros agentes.
O custo permanece como uma das principais limitações. A própria ANEEL destaca que o investimento necessário é significativamente superior ao das redes aéreas e alerta que uma expansão indiscriminada poderia gerar impactos tarifários relevantes. Por isso, a discussão regulatória atual não aponta simplesmente para o enterramento generalizado das redes, mas para uma avaliação criteriosa de onde o investimento apresenta maior benefício técnico, econômico e social.
Essa perspectiva tende a favorecer uma transição seletiva: áreas de alta densidade de carga, regiões críticas para a continuidade do fornecimento, centros urbanos consolidados, áreas turísticas e históricas, corredores estratégicos, empreendimentos privados, condomínios, data centers e locais com maior exposição a ocorrências podem apresentar justificativas diferentes para a adoção desse tipo de infraestrutura.
Mais do que substituir postes por dutos, portanto, falar em redes subterrâneas significa discutir planejamento de longo prazo.
Transformação, proteção e o futuro das redes subterrâneas
A expansão das redes subterrâneas exige uma abordagem integrada entre transformação, proteção, supervisão e automação. Não se trata apenas de substituir a infraestrutura aérea, mas de adotar equipamentos e sistemas preparados para as características operacionais dessas arquiteturas.
É nesse contexto que as soluções da Itaipu Transformadores e da PEXTRON® se complementam. A Itaipu Transformadores desenvolve transformadores subterrâneos para aplicações nas classes de tensão de 15 kV, 24,2 kV e 36,2 kV, com projetos adequados às características de cada instalação e às exigências operacionais desse tipo de rede. Já a PEXTRON® atua na proteção e no controle de redes subterrâneas reticuladas por meio da linha URS 1460, voltada a sistemas Network, tanto em novas instalações quanto em projetos de retrofit.
A integração entre transformação, proteção e automação torna-se ainda mais relevante em redes subterrâneas com maior criticidade operacional e crescente nível de digitalização. Embora o Brasil ainda esteja distante de uma substituição ampla das redes aéreas, principalmente pelos custos de implantação e pelas diferentes características das áreas de concessão, projetos de modernização urbana, investimentos das distribuidoras e a necessidade de maior resiliência indicam uma expansão seletiva desse modelo.
Com soluções que atuam em diferentes pontos da arquitetura das redes subterrâneas, o Grupo SABE estará presente no Redes Subterrâneas de Energia e Telecom 2026, nos dias 27 e 28 de outubro, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo. Entre os destaques estarão as tecnologias da Itaipu Transformadores e da PEXTRON®, com soluções de transformação, proteção e controle voltadas às novas demandas de confiabilidade e modernização das redes de distribuição.
Sobre a Itaipu Transformadores
Com mais de 50 anos de atuação no setor elétrico, a Itaipu Transformadores desenvolve e fabrica transformadores para diferentes aplicações dos sistemas de distribuição e da infraestrutura elétrica. Seu portfólio atende concessionárias, indústrias e projetos de infraestrutura, incluindo soluções para redes subterrâneas e aplicações que exigem especificações próprias de operação e instalação.
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